O morango é um pseudofruto originário do receptáculo floral, o qual se torna carnoso e suculento, rico em Vitamina C. Os frutos verdadeiros são pequenos, vulgarmente denominados “sementes”. Os morangos são consumidos in natura ou aproveitados para fabricação de iogurtes, sucos, geleias, bolos, etc.

São plantas herbáceas, rasteiras e perenes da família Rosaceae, propagada por via vegetativa, através de estolhos (caules aéreos, finos, que possuem crescimento horizontal, originando novas plantas). Em geral, a cultura para produção de frutos é renovada anualmente, ou seja, todo ano há um novo plantio, gerando novas plantas, sendo as abelhas são imprescindíveis para polinização.

A comercialização é feita ao natural, congelada (frutos inteiros ou polpa) e polpa desidratada. Cerca de 70% da produção é comercializada in natura e o restante é encaminhado para a industrialização. Os preços mais elevados de tais produtos ocorrem até julho, antes do pico de produção que ocorre em agosto e setembro.

Atualmente, com o avanço das técnicas agrícolas, muitos empecilhos que diminuíam ou inviabilizavam a produção de morangos no estado de São Paulo, líder em tal cultivo, são evitados. Mesmo assim, ainda são enfrentadas, no ramo do hortifruti, muitas barreiras que acabam elevando os custos de produção a patamares muito altos.

O setor de principal ocorrência é o da agricultura familiar, ou de produtores de pequena escala. As principais dificuldades relatadas pelos produtores foram, por ordem de importância: (1) incidência de pragas e doenças; (2) aquisição de mudas; (3) custo de embalagens; (4) necessidade de mão-de-obra; e (5) custos de produção elevados.

1) Incidência de Pragas e Doenças

A incidência de pragas e doenças é classificado como um fator limitante em qualquer cultura cultivada. Dentro do cultivo de morango, pode-se destacar as principais pragas agrícolas bem como as doenças.

O monitoramento pode ser feito por meio de amostragem de solo, observações visuais das diferentes partes da planta (raízes, folhas, brotações novas, botões florais e fruto) e de injurias, ou ainda a partir de armadilhas especificas para cada espécie.

Com essas informações, associadas ao conhecimento da bioecologia das espécies, pode-se estimar com precisão as épocas mais favoráveis à ocorrência das pragas e a densidade populacional, evitando prejuízos econômicos.

Tendo em vista as principais pragas e doenças que afetam a cultura, é de extrema importância saber identificá-las no campo, em cada ciclo do morangueiro.

Ácaro-rajado. Fonte: Agrolink

Ácaro-do-enfezamento. Fonte: Agrolink

Pulgão-verde-do-morangueiro. Fonte: Agrolink

Tripes. Fonte: Agrolink

Mancha de micosfera. Fonte: Agrolink

Mancha de diplocarpon. Fonte: Agrolink

Mancha de dendroforma. Fonte: Agrolink

Mancha angular. Fonte: Agronomicabr

Oídio. Fonte: Embrapa

Podridão das raizes. Fonte: Embrapa

Podridão do colo. Fonte: Agrolink

Murcha de Verticillium. Fonte: Madlovefarms

2) Aquisição de mudas

O principal problema da aquisição de mudas para os produtores normalmente engloba o manejo fitossanitário. Dessa forma, ter a garantia do recebimento de uma grande quantidade de produto isento de problemas fitopatológicos, normalmente tem um preço elevado.

Atualmente são utilizadas de 65 a 80 mil mudas por hectare, de acordo com o espaçamento e a área de carreadores utilizados. Além disso, o Instituto Agronômico vem fornecendo matrizes básicas de morangueiro livres de vírus desde 1967, junto com Cooperativas e empresas privadas, em que algumas utilizam microprogação in vitro produzindo matrizes.

3) Custo das embalagens

No Brasil, São Paulo lidera a produção de morangos (31.266 toneladas em 816 ha, 1991). Cerca de 70% da produção‚ comercializada in natura e o restante para industrialização. O custo de produção chega a R$30.000,00/ha e cerca de 40% refere-se à colheita e embalagem.

A comercialização é feita ao natural, congelada (frutos inteiros ou polpa) e polpa desidratada. Para isso, diferentes tipos de embalagens são necessários dependendo do destino final.

Normalmente realiza-se o comércio de morango em caixetas (cumbucas) de papelão ou de poliestireno expandido (isopor), com capacidade entre 250 e 800g. Os frutos geralmente são dispostos em fileiras, em uma ou duas camadas. Para mercado mais nobre já se utiliza caixeta plástica transparente e com tampa.

A classificação é por tamanho, sendo “extra” acima de 14g e “de primeira” de 6 a 14g. Para uso industrial a fruta ‚ embalada solta, em caixas de madeira com 5 kg. A conservação do fruto é favorecida em câmara fria a 2ºC e 90% de umidade relativa do ar ou atmosfera com 20% de gás carbônico (CO2); a cobertura de embalagem com filme plástico retarda a retarda a deterioração por reter CO2 produzido pelos frutos.

Todo esse processo demanda de altos níveis tecnológicos em cada etapa, desde a escolha da embalagem adequada (encarecendo conforme o tipo do material utilizado), até os processos intermediários que abrangem as técnicas de beneficiamento até o mercado final.

4) Necessidade de mão-de-obra

A necessidade de mão-de-obra vai desde o preparo das condições ideias para plantio das mudas, até o transporte final dos frutos. Dessa forma, há todo o processo de preparo dos canteiros de modo a evitar erosão e outros processos físicos, ganhando destaque a compactação do solo, item que impactara diretamente no crescimento radicular.

Além disso, existe a necessidade da aplicação dos métodos corretivos do solo (calagem, gessagem e fosfatagem), como também da realização correta da adubação de sulco e de cobertura, sendo todas as etapas baseadas na análise de solo da área.

Tendo as mudas instaladas, deve-se monitorar todo o ciclo para garantir a sanidade das mesmas, evitando o ataque de pragas e doenças que muitas vezes estão em associação. Alguns processos como o tratamento de mudas com fungicidas, controle da umidade do solo, remoção e destruição de plantas afetadas, tratos culturais especiais (usar cobertura do solo nos canteiros em produção de frutos com lençol plástico e realizar o desbaste do excesso de folhas para arejamento das plantas), colheita e beneficiamento pré-transporte, demandam de uma grande quantia de trabalhadores, fato que acaba encarecendo todo o processo.

5) Custo de produção elevado

Abrangendo todas as etapas de produção do morangueiro, pode-se analisar que todas as etapas de produção abrangem etapas especificas que demandam de muita mão-de-obra especializada. Além disso, todo o material necessário para a implantação, como estruturas em sistema protegido, mudas sadias, produtos químicos (herbicidas, fungicidas e inseticidas), adubos, embalagens, fretes de transporte e muitos outros, acarretam nesse quesito.

Tudo isso, limita muitos produtores devido ao fato desse setor ainda estar em crescimento no território brasileiro, não tendo tanto apoio, tecnologia aplicada (sendo a disponível de custeio) e infraestrutura.

Escrito por Fábio Brunelli

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