A pecuária brasileira, um dos principais pilares do agronegócio nacional, vive um momento de transformação. O aumento da demanda por alimentos, aliado à necessidade de otimizar o uso da terra e adotar práticas sustentáveis, tem impulsionado a busca por tecnologias que elevem a eficiência produtiva.
Nesse contexto, o piqueteamento rotacionado se destaca como uma solução técnica de alto impacto, capaz de revolucionar o manejo de pastagens, recuperar áreas degradadas e elevar a produtividade da pecuária a um novo patamar.
Mas afinal, o que é o piqueteamento rotacionado, quando implantar e como aplicar corretamente esse sistema? Ao longo deste artigo, você vai entender os fundamentos do pastejo rotacionado, seus benefícios e os principais passos para uma implantação eficiente e sustentável.
Por que intensificar o uso das pastagens na pecuária brasileira?
O modelo tradicional de pecuária extensiva enfrenta desafios que comprometem tanto a rentabilidade quanto a sustentabilidade da produção. Entre os principais problemas, destacam-se:
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Degradação das pastagens por manejo inadequado e superlotação
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Baixa taxa de lotação, limitando o número de animais por hectare
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Subutilização do potencial produtivo da terra
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Abertura de novas áreas e avanço do desmatamento
Estima-se que mais da metade das pastagens brasileiras apresente algum grau de degradação, o que impacta diretamente a produtividade animal e os custos do sistema.
Diante desse cenário, produzir mais em menos área tornou-se essencial. A intensificação sustentável da pecuária, por meio do piqueteamento rotacionado, surge como a principal alternativa para aumentar a eficiência, reduzir impactos ambientais e melhorar a imagem do agronegócio brasileiro no mercado internacional.
O que é piqueteamento rotacionado (ou pastejo rotacionado)?
O piqueteamento rotacionado é um sistema de manejo de pastagens que consiste na divisão da área em piquetes menores, utilizados de forma alternada e controlada.
Nesse modelo:
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Os animais permanecem em um piquete por um curto período (período de ocupação)
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Os demais piquetes ficam em descanso (período de descanso), permitindo a recuperação da forrageira
Diferente do pastejo contínuo, onde o gado tem acesso livre a toda a área, o pastejo rotacionado permite maior controle do consumo da forragem, evita o superpastejo e garante melhor aproveitamento do pasto.
Fundamentos técnicos do piqueteamento rotacionado
Dimensionamento dos piquetes
O sucesso do sistema depende do dimensionamento correto, calculado pela fórmula:
Número de piquetes = (Período de descanso ÷ Período de ocupação) + 1
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Período de descanso (gramíneas tropicais):
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Águas: 25 a 35 dias
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Período de ocupação ideal:
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1 a 3 dias
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Além disso, piquetes com formato retangular e relação comprimento/largura de até 3:1 facilitam o manejo e o deslocamento dos animais.
Manejo por altura: quando entrar e sair do piquete
O manejo por altura do dossel forrageiro é uma das ferramentas mais precisas no piqueteamento rotacionado. Cada forrageira possui uma altura ideal de entrada e saída, garantindo equilíbrio entre produtividade e valor nutricional.
A medição pode ser feita com uma régua de manejo, permitindo decisões mais assertivas e melhor desempenho animal.
Quando implantar o piqueteamento rotacionado?
O sistema é indicado para produtores que desejam:
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Aumentar a taxa de lotação
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Melhorar o desempenho animal (carne e leite)
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Intensificar o uso das pastagens de forma sustentável
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Reduzir custos a médio e longo prazo
Apesar de exigir maior nível de planejamento e investimento inicial, especialmente em cercas e bebedouros, os resultados compensam rapidamente quando o manejo é bem executado.
Como implantar o piqueteamento rotacionado: passo a passo
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Análise e mapeamento da área
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Definição do número, tamanho e disposição dos piquetes
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Escolha da forrageira adequada à região e ao sistema produtivo
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Dimensionamento da infraestrutura (cercas, cochos e bebedouros)
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Garantia de acesso à água a no máximo 500 metros dos animais
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Correção e adubação do solo para bom estabelecimento da pastagem
Para reduzir custos, cercas elétricas são uma alternativa eficiente e econômica.
Vantagens do piqueteamento rotacionado para o agronegócio
Benefícios zootécnicos
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Aumento da taxa de lotação: 2 a 5 UA/ha
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Ganho de peso por hectare: 500 a 1.010 kg/ano
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Melhor valor nutricional da forragem
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Maior eficiência produtiva por área
Benefícios ambientais
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Conservação do solo e redução da erosão
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Melhor ciclagem de nutrientes
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Redução do desmatamento
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Mitigação de gases de efeito estufa
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Sequestro de carbono via aumento da matéria orgânica do solo
Casos de sucesso em diferentes regiões do Brasil comprovam a viabilidade técnica e econômica do piqueteamento rotacionado.
Conclusão
O piqueteamento rotacionado é uma tecnologia acessível, eficiente e alinhada às exigências da pecuária moderna. Ao otimizar o uso das pastagens, aumentar a produtividade e promover a sustentabilidade, o sistema se consolida como uma das principais ferramentas para elevar a rentabilidade e a competitividade da pecuária brasileira.
Com planejamento adequado e manejo correto, os benefícios zootécnicos, econômicos e ambientais superam amplamente o investimento inicial.
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A ESALQ Jr. Consultoria é uma empresa júnior formada por alunos da ESALQ/USP, especializada em soluções técnicas e estratégicas para o agronegócio, com atuação em produção animal, vegetal e viabilidade técnico-econômica.
