Você sabe quais fatores produtivos devemos levar em consideração na fruticultura tropical?

As frutíferas podem ser divididas em grupos de acordo com as condições climáticas às quais são adaptadas, classificando-se em frutíferas de clima temperado, subtropical ou tropical.

O cultivo de espécies frutíferas de clima tropical tem grande expressão na América do Sul, seus frutos são saborosos, ricos em vitaminas e possuem elevado valor econômico, havendo diversos plantios comerciais em países como Equador, Argentina, Uruguai e, com grande expressividade, Brasil.

Essas espécies adaptam-se a regiões com temperatura média anual acima de 22°C, são intolerantes à geadas e longos períodos de baixas temperaturas e  exigem chuvas bem distribuídas ao longo de todo o ano.

Além disso, costumam apresentar crescimento contínuo, com algum “surtos de crescimento” em condições específicas ao longo do ano, sem que percam suas folhas no inverno.

Entre as frutíferas tropicais cultivadas em nosso país pode-se citar espécies importantes como a aceroleira, bananeira, maracujazeiro, mangueira, o abacaxizeiro, o mamoeiro, cajueiro e coqueiro da Bahia.

Atualmente, o Brasil posiciona-se como terceiro maior produtor mundial de frutas, entretanto, com as projeções da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) de crescimento do consumo per capita de frutas, brasileiro e mundial, a taxas superiores aos da economia mundial e doméstica, nota-se a necessidade pelo aumento na produção e, principalmente, produtividade de frutas.

Em resposta a esta demanda, os números do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) mostram que frutas como a banana e o mamão (espécies tropicais) terão crescimento de 10% na produção até 2025.

Para que o produtor acompanhe esse crescimento e atenda às demandas do mercado, obtendo maior retorno com o cultivo destas espécies, deve atentar-se para os principais fatores que impactam na produtividade e qualidade do produto final.

Neste artigo discorreremos sobre um que certamente será protagonista nesse processo: a água.

Água

Como citado anteriormente, espécies de clima tropical necessitam de fornecimento constante de água. No entanto, na maioria das regiões há irregularidade na pluviometria ao longo das estações do ano, sendo a deficiência de água em função da baixa pluviometria e alta demanda evaporativa o grande fator natural restritivo ao cultivo de frutíferas tropicais, especialmente em regiões próximas ao equador (exceto a Amazônia).

Considerado, então, as incertezas na contribuição das chuvas para manutenção da umidade do solo associadas ao alto investimento no setor e valor econômico agregado das frutas, a irrigação tem se tornado um fator indispensável ao sistema de produção de frutíferas.

O efeito da irrigação contribui para aumento de produtividade, resultando em frutos maiores, mais pesados, e com produção melhor distribuída, aspectos benéficos em termos de colheita e comercialização.

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Na tabela 1 é possível observar os efeitos decorrentes da irrigação, pelo seu simples uso, sem monitoramento técnico rigoroso, em algumas das principais frutíferas produzidas no país.

Tabela 1: Produtividades de algumas fruteiras tropicais obtidas com e sem irrigação, a partir das médias das regiões do Brasil

Para usufruir de todo o benefício que a adoção de um sistema de irrigação proporciona, é importante atentar-se ao manejo do sistema, que deve ser guiado de acordo com as fases críticas das frutíferas em termos de exigência de água:

Após a floração: a falta de água nesse período compromete o tamanho dos frutos;

Antes da colheita: de duas a três semanas antes da colheita a exigência de água aumenta significativamente; e

Após a colheita: nesta fase a planta absorve os nutrientes que irá utilizar no florescimento e brotação, definindo a quantidade de frutos da próxima estação. Essa é a etapa que exige mais atenção na manutenção da umidade do solo.

Outro ponto essencial para obter sucesso na adoção da irrigação das frutíferas é a escolha do sistema correto, o qual irá depender da realidade do cultivo.

De forma geral, são recomendados sistemas de irrigação localizada (microaspersão e gotejamento), como mostrado na imagem 1, pela maior eficiência de irrigação com economia de água e energia, menor problema com doenças pelo não molhamento da parte aérea das plantas e pela possibilidade de aplicação de fertilizantes junto com a água da irrigação.

Imagem 1: Sistema de Gotejamento em maracujá. Crédito: Mário Sérgio Carvalho Dias.

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Mayara Neves Cury